MORTE AO JABÁ
por Chacal
Uma novelha bandeira surge no ar: a luta contra o jabá. Minha querida amiga “Shakira” Grabois me liga para empunhar palavras de ordem. Eu preciso disso. Hoje as palavras parecem vazias como o saco de plástico que esvoaça ao vento em “Beleza Americana”, de Sam Mendes. Sem uma utopiazinha que seja, a vida fica vaga e as palavras sem graça. Então, vamos à luta contra o jabá, Bia querida.
O jabá, esta prática deplorável, que inviabiliza a vida da grande maioria das pessoas ligadas à música, deve ser banido. Rádios e TVs são concessões públicas e por isso devem contemplar os mais diversos segmentos e estilos musicais. Paralelo a isso, temos que abraçar uma causa mais abrangente: a luta pelas rádios livres, assim como a internet. Quem quiser, e puder, cria uma rádio. Os meios para isso ficam a cada dia mais baratos. É só uma questão de vontade política. A rádio como é formatada hoje, é mero balcão de negócios. Um minuto na programação é vendido para qualquer conteúdo, seja anúncio, música ou notícia. Esse é o pensamento que predomina. Para minar esse procedimento, só rádios livres, que entrariam no ar com outra finalidade, de melhor informar à comunidade, artística e eticamente.
Outro ponto importante para um programa cultural é o fundo de cultura. Não mais os homens de marketing das empresas escolhendo a quem dar o dinheiro da renúncia fiscal - nosso dinheiro de impostos - para “agregar valor” a sua marca, mas homens ligados à cultura, trabalhando em ministérios e secretarias estaduais e municipais, em comum acordo com a sociedade civíl, decidindo, a partir de uma política cultural transparente, onde aplicar a verba do fundo. Essa reserva deveria ser algo em torno de 3% do orçamento (já que não haveria mais renúncia fiscal). Isso reforçaria a identidade cultural do país, do estado e do município e geraria uma quantidade imensa de empregos.
Isso tudo é muito complexo, dirão os analistas, assim como falam das reformas políticas e do judiciário. Mas, na minha opinião, esse pode ser um bom ponto de partida para demolir os feudos culturais desse país. Acho que, apesar de vacilos vários, estamos indo nesse caminho. Não podemos parar!

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