22.5.06

Entrevista do B. Negão sobre o Jabá

No site "O Dilúvio" : http://www.odiluvio.com.br/bnegao.htm

Imperdivel!!!!!!

11.5.06

Do blog do Jamari França...

...Comentário sobre a reunião aberta do JABÁSTA, terça-feira, dia 09 de maio:

http://oglobo.globo.com/online/blogs/jamari/

Obrigado Jamari!

JABÁSTA

10.5.06

Relato da reunião no Circo (9/5)


Por Bruno Zornitta

Cerca de 50 pessoas participaram da reunião do Movimento pelo Fim do Jabá nesta terça (9/5), no Circo Voador, Rio de Janeiro. Primeiro, a advogada Deborah Sztajnberg informou sobre o andamento do projeto de lei 1048/03, do deputado federal Fernando Ferro (PT-PE), que criminaliza o jabá, e esclareceu dúvidas dos participantes da reunião. Ela disse que o projeto foi aprovado nas Comissões de Educação e Cultura; e de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática. Agora tramita na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, tendo recebido voto favorável do relator, deputado Jamil Murad (PCdoB-SP), no último dia sete de abril.

Deborah explicou que o abaixo-assinado que o movimento está organizando serve para pressionar o poder público, mostrando aos parlamentares que o projeto tem o respaldo da sociedade civil. Ela ressalvou que o abaixo-assinado não deve ser confundido com projeto de Lei de Iniciativa Popular.

Participaram do encontro o deputado Carlos Minc (PT-RJ) e assessores dos deputados Fernando Ferro (PT-PE) e Gilberto Palmares (PT-RJ). Os três parlamentares são autores de projetos que tornam crime a prática do jabá e colocaram seus mandatos a disposição do movimento. O Movimento pelo Fim do Jabá recolhe assinaturas pedindo a aprovação do PL 1048/03, de alcance nacional, e apóia também as iniciativas em âmbito estadual.

Os integrantes do movimento ressaltaram que a mobilização contra o jabá é suprapartidária, sem excluir a ação institucional, como realização de audiências públicas e criação de frentes parlamentares. Uma das preocupações levantadas foi a necessidade de organizar o movimento contra o jabá em outros estados. Foram propostas também a realização de um ato-show contra o jabá, intervenções políticas/artísticas em shows e a classificação das músicas que fazem sucesso por causa do jabá em um ranking do tipo “As dez mais tocadas da semana”. O coordenador da rádio Pop Goiaba (da Universidade Federal Fluminense), Cláudio Salles, disse que os artistas precisam se unir também para exigir a democratização do rádio e da TV digital, que estão sendo implantados no país. As propostas serão sistematizadas pelo movimento e divulgadas em seus meios (blog e orkut).

Regulamentação – O projeto de lei 3323/06, de autoria dos deputados Carlos Minc e Gilberto Palmares, estabelece, em seu artigo 2º, a criação de uma ouvidoria para receber denúncias, encaminhando-as aos órgãos competentes, e esclarecer dúvidas sobre o tema. O projeto também proíbe o governo do Estado do Rio de Janeiro de veicular propaganda institucional nos meios de comunicação que infringirem essa lei.


30.4.06

Reunião terça (9/5), às 18h, no Circo

O Movimento pelo Fim do Jabá se reunirá na próxima terça-feira, dia 9 de maio, às 18h, no Circo Voador, para encaminhar os trabalhos que o coletivo vem organizando. No momento, nosso foco é o recolhimento de assinaturas para aprovação do Projeto de Lei 1048/03, que torna crime a prática do jabá nas rádios e TVs. Para aderir ao abaixo-assinado, envie uma mensagem para movimentopelofimdojaba@gmail.com com seu nome completo, profissão e número de algum documento (CPF, identidade ou carteira da Ordem dos Músicos – tanto faz).


O Circo Voador fica na Rua dos Arcos, S/N - Lapa - Rio de Janeiro. A reunião é aberta. Apareça!

O MINISTRO E O JABÁ EM PAZ

VARIG VÔO 2631 - 17:00 - 19.04.2006
BRASÍLIA – SÃO PAULO


Por Eduarda Fadini*

Estava eu em Brasília resolvendo uns pepinos no Ministério da Cultura sobre uns projetos que tenho lá como produtora (pra viver de música é preciso jogar nas onze), quando me deparo com um ajuntamento no jardim em frente. Me aproximo e vejo uma mulher discursando inflamada sobre a estrutura do Ministério, sobre melhores condições de trabalho para os funcionários, etc, etc. Era Marina Silva, Ministra do Meio Ambiente e entre as figuras típicas de terno e cara de “otoridade” um sujeito com cara de totem e olhar distante. Era Gil, Exmo. Sr. Ministro da Cultura Gilberto Passos Gil Moreira, com suas indefectíveis madeixas em tranças e seu já previsto violãozinho à tira-colo. Como de praxe, nosso Ministro cantou e encantou a todos, primeiro, Marina Morena, dedicada à Ministra Marina Silva e em seguida A Paz um de seus carros-chefe.

Havia três dias, nosso Ministro professara pérolas no jornal O Globo sobre a grave e insustentável situação do jabá e o Projeto de Lei 1048/2003. Transcrevo as melhores partes: “... Se virar crime, como é que se vai provar? ... É necessária uma configuração justa para quem não tem condição de arcar com a prática do jabá... cotas mesmo, para o repertório menos competitivo ... Precisamos nos ater ainda sobre o projeto, estudá-lo com a devida atenção... Isto precisa ser discutido antes de se criminalizar... Quanto à lei em si, é preciso examiná-la ... antes de ter uma posição oficial... examinar as alternativas, de acordo com a realidade...”

Como é que se vai provar?!? Configuração justa?!? Cotas?!? Alternativas de acordo com a realidade?!? Que realidade, Ministro, a sua, da Warner ou a de tantos artistas excluídos desse Sistema Mercantilista Cultural?

Enfim... Com o peito apertado de artista que carrega seus CDs na bolsa e não tem grana pra pagar jabá, tive vontade de gritar: “E aí Gil? E o jabá?” Não gritei. A minha volta todos aplaudiam. As tietes tietavam, os puxa-sacos puxavam e os curiosos, bem os curiosos... Apenas eu tinha o peito apertado e os olhos duros de quem se sente traído...

Ele desce do palquinho e as tietes, os puxa-sacos e os curiosos, enfim...

Vou falar com ele – pensei – tenho que falar com ele!

Me disfarço de tiete, estendo a minha agenda (cheia de contas a pagar) e ele “nem te ligo”.

– Ministro, um autógrafo, por favor, Ministro!

Ele finge que não ouve.

Num gesto extremo, eu puxo o Ministro pelo ombro do paletó e repito:

– Gil, um autógrafo, por favor! Não é todo dia que se pode ter um autógrafo de um Ministro! – e enfio a agenda na frente dele.

Vencido, ele assina e enquanto isso eu pergunto:

– E aí Ministro? O jabá vai acabar?

Ele me sorri um sorriso blasé e responde:

– Eu creio que não...

Eu replico:

– Mas e nós, músicos, Ministro, o que faremos?

Ele sorrindo ainda mais responde:

– Continuem fazendo música, ora!...

Ele me devolve a agenda e a caneta sem dar importância e segue em frente com o seu sector de puxa-sacos.

Eu fico ali parada, vendo aquele sujeito indo embora e penso nos últimos 20 anos da minha vida lutando para sobreviver de música. Anos de estudo e dedicação. Penso em todos os artistas que não tem grana pra pagar jabá e penso que eu queria mesmo era ter ouvido dele que sim, que ele estava lutando por isso, queria que ele desmentisse aquelas declarações rocambolescas e vazias do jornal.

Com a cabeça explodindo em ???? e o coração pesado, coloco a agenda cheia de contas na bolsa e vou à luta. Pois eu posso não ter grana pra pagar jabá, mas as minhas contas, essas eu tenho que pagar.


* 35 anos, cantora, compositora, professora de canto e produtora cultural
.

Trilha sonora para o encontro com o Ministro: “Quem canta” de Marcos Lima, compositor Niteroiense, músico, artista, mais um lutador. Salve Marquinhos!
Para ouvir: http://www.tramavirtual.com/eduarda_fadini

20.4.06

MORTE AO JABÁ

por Chacal

Uma novelha bandeira surge no ar: a luta contra o jabá. Minha querida amiga “Shakira” Grabois me liga para empunhar palavras de ordem. Eu preciso disso. Hoje as palavras parecem vazias como o saco de plástico que esvoaça ao vento em “Beleza Americana”, de Sam Mendes. Sem uma utopiazinha que seja, a vida fica vaga e as palavras sem graça. Então, vamos à luta contra o jabá, Bia querida.

O jabá, esta prática deplorável, que inviabiliza a vida da grande maioria das pessoas ligadas à música, deve ser banido. Rádios e TVs são concessões públicas e por isso devem contemplar os mais diversos segmentos e estilos musicais. Paralelo a isso, temos que abraçar uma causa mais abrangente: a luta pelas rádios livres, assim como a internet. Quem quiser, e puder, cria uma rádio. Os meios para isso ficam a cada dia mais baratos. É só uma questão de vontade política. A rádio como é formatada hoje, é mero balcão de negócios. Um minuto na programação é vendido para qualquer conteúdo, seja anúncio, música ou notícia. Esse é o pensamento que predomina. Para minar esse procedimento, só rádios livres, que entrariam no ar com outra finalidade, de melhor informar à comunidade, artística e eticamente.

Outro ponto importante para um programa cultural é o fundo de cultura. Não mais os homens de marketing das empresas escolhendo a quem dar o dinheiro da renúncia fiscal - nosso dinheiro de impostos - para “agregar valor” a sua marca, mas homens ligados à cultura, trabalhando em ministérios e secretarias estaduais e municipais, em comum acordo com a sociedade civíl, decidindo, a partir de uma política cultural transparente, onde aplicar a verba do fundo. Essa reserva deveria ser algo em torno de 3% do orçamento (já que não haveria mais renúncia fiscal). Isso reforçaria a identidade cultural do país, do estado e do município e geraria uma quantidade imensa de empregos.

Isso tudo é muito complexo, dirão os analistas, assim como falam das reformas políticas e do judiciário. Mas, na minha opinião, esse pode ser um bom ponto de partida para demolir os feudos culturais desse país. Acho que, apesar de vacilos vários, estamos indo nesse caminho. Não podemos parar!

http://cep.zip.net

http://chacalog.zip.net

16.4.06

ARNALDO BLOCH DISCUTE JABÁ

Fonte: http://oglobo.globo.com/jornal/suplementos/segundocaderno/246843789.asp

JÁBÁSTA!
Arnaldo Bloch

A compra de espaço em rádio para a difusão de música sem que o ouvinte saiba — o popularíssimo jabá — deixou de ser um assunto tabu quando até mesmo executivos de gravadoras e de rádios passaram a admitir a prática. Recentemente, o empresário Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho (o Tutinha), dono da Jovem Pan, causou mal-estar ao defender, em entrevista à "Playboy", o "jabá com nota fiscal", variedade da propina disfarçada em publicidade. Esse descaso existe porque não há punição prevista para o sucesso sob encomenda, que, além de moralmente condenável, vem tirando do mercado brasileiro, ao longo de décadas, artistas e gravadoras incapazes de arcar com os altos custos de se "emplacar" uma canção.

A complacência, contudo, pode estar com os dias contados se o o Projeto de Lei 1048/2003 (que tramita há três anos no Congresso, já passou pelas principais comissões e ganhou do relator voto favorável) for aprovado. Nesse caso, proprietários, gerentes, radialistas e apresentadores que cobrarem ou receberem dinheiro para privilegiar músicas e artistas ficam sujeitos a penas de até dois anos de prisão, além de multas e do risco de cassação dos direitos de difusão.

Paralelamente, no Rio de Janeiro, o Movimento pelo Fim do Jabá — associação criada por músicos e produtores como B. Negão, Tião (do Viva Rio e das rádios comunitárias), Bia Grabois, Mariana Leporacce, Garnizé, Ricardo Moreno e outros, promove reuniões periódicas no Circo Voador e espalha a discussão por eventos de grande público, como o Samba do Trabalhador, comandado por Moacyr Luz e Zé Luiz do Império, membros do movimento. Com site, comunidade no Orkut e reuniões periódicas, a associação vem conquistando adesões importantes, não apenas de artistas prejudicados pelo jabá, mas também de consagrados como Tony Garrido, Zélia Duncan, Jaques Morelenbaun e o roqueiro Roberto Frejat, que admite beneficiar-se da prática.

— Faço ainda parte dessa experiência, como artista contratado da Warner. Mas isso não impede que eu me posicione a favor da democratização da música nos meios de comunicação. A lei é importante, mas o problema maior está na maneira como os governos lidam com as concessões. São presentes fáceis sem a contrapartida à qual o povo, representado pelo Estado, tem direito. Fico imaginando o serviço que as rádios poderiam prestar à sociedade, mas o modelo contempla o aspecto comercial.

Chamado a discutir a questão numa das reuniões do movimento, Jorge Mautner (atualmente sem gravadora, e cujo último disco, em parceria com Caetano Veloso, saiu pela Universal) recusou-se a assinar a adesão, apesar de estar, usualmente, entre os desfavorecidos. Convidado a explicar suas razões, reagiu filosoficamente:

— Não assinei, mas se vocês quiserem eu assino agora, por procuração. Afinal, quem vai dizer que é a favor do jabá? Quem disser é degolado. Mas, sinceramente, não sei se, com uns 500 milhões no bolso, eu resistiria a comprar umas horinhas de rádio. Nos EUA, lobby é coisa oficializada. Aqui não. OK, as concessões são públicas. Mas são um pouco privadas também. Essas coisas são mais complicadas do que parecem. Tem que discutir.

Interessadas — e muito — em discutir estão as emissoras, representadas pela Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV), que apesar de não considerar a prática do jabá "desejável", tem problemas com a idéia de se criminalizá-la, de acordo com o assessor jurídico da entidade, Dr. Rodolfo Machado.

— Não somos favoráveis a nenhuma atitude de troca de dinheiro por influência na programação, mas a redação, do jeito que está, é muito ampla. Crime é coisa séria, tem que ver com muito cuidado para não sair prendendo gente que não deve ser presa. Preocupamo-nos muito com essa coisa de tipificar, de transformar em crime. Nada impede, por exemplo, que uma gravadora que adquira uma rádio veicule os seus artistas.

Nos EUA, jabá já é crime desde anos 60

A preocupação do advogado da Abert não encontra eco, por exemplo, na legislação americana, que desde os anos 60 considera crime a prática criada nos Estados Unidos, onde o jabá é chamado de payola. A dificuldade de se monitorar o jabá não impediu que recentemente as multinacionais Warner Music e Sony-BMG fossem condenadas a pagar US$ 5 milhões e US$10 milhões de multa, respectivamente, numa ação do Ministério Público de Nova York.

Atento ao assunto, o ministro Gilberto Gil, artista contratado da Warner, pondera:

— O problema é que no Brasil sequer existem mecanismos de acompanhamento. Se virar crime, como é que se vai provar?

Internacionalmente consagrado, o compositor e cantor Ivan Lins ressalta a hipocrisia que cerca o assunto:

— É difícil criminalizar o jabá porque ele já foi legalizado como verba de publicidade. A questão é que o ouvinte não sabe disso. O que é preciso é discutir no Brasil se música é cultura e se é preciso pagar para difundi-la. Mas parece que cultura virou um subproduto da educação e os governos, em vez de privilegiá-la, subsidiam a indústria da ignorância e da mediocridade, que prospera — opina Ivan, que neste momento negocia com várias gravadoras a distribuição de seu novo disco, em fase de mixagem.

'A CRIMINALIZAÇÃO NÃO É SUFICIENTE'
Arnaldo Bloch

Ainda tomando pé do projeto que torna crime de propina o jabá, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, chama atenção para dois aspectos: a dificuldade de se comprovar a prática e a necessidade de — paralelamente ou até antes de se discutir o projeto — criarem-se mecanismos para forçar o acesso dos prejudicados pelo jabá às ondas radiofônicas, através de ações afirmativas e mesmo da criação de cotas para o artista marginalizado.

Anos atrás, em entrevista a um jornal de São Paulo,o senhor se posicionou a favor da criminalização do jabá. Agora, com o projeto de Lei em fase final de tramitação, a postura se mantém?

GILBERTO GIL: O que parece ser conveniente e do interesse de todos é que o uso de recursos extraordinários para financiar a radiodifusão de música seja prática inibida e desestimulada. Isso interessa à democratização de acesso mais rápido de gravadoras com menos poder econômico e dos artistas menos favorecidos. E representa, obviamente, uma forma de economia para os selos na hora de lutar pela execução de seu repertório. É necessária uma configuração justa para quem não tem condição de arcar com o jabá.

Então, o senhor considera a criminalização adequada? Jabá é crime de propina?

GILBERTO GIL: Precisamos nos ater ainda sobre o projeto, estudá-lo com a devida atenção. Mas, desde já, penso que a criminalização não é suficiente para se resolver o problema. Parece-me que a questão mais sensível está relacionada, isso sim, ao acesso às ondas de rádio.

O senhor está propondo rever as concessões?

GILBERTO GIL: Não. Estou dizendo que seria extremamente positivo investir-se, paralelamente a qualquer medida coercitiva, em políticas afirmativas, ou cotas mesmo, para o repertório menos competitivo, ou simplesmente o repertório que não tem nenhuma condição de competir. Isso vai na direção de se contemplar, nas programações, as periferias, que hoje encontram espaço apenas através das rádios comunitárias. A produção nova das favelas, a imensa e variada produção regional.

Como isso é feito?

GILBERTO GIL: O problema é o espaço exclusivo e homogeneizado dos grandes concessionários dos meios eletrônicos. Isto precisa ser discutido antes de se criminalizar. Afinal, o repertório excluído tem a ver, diretamente, com essas causas, que são mais profundas e que vêm antes no processo que levou a isso.

Nos Estados Unidos, onde o jabá foi criado bem antes de aportar por aqui ainda nos anos 70, a prática é punida por Lei. Isso não seria um sinal de que o projeto está no caminho certo?

GILBERTO GIL:
Quanto à lei em si, é preciso examiná-la melhor, como disse, antes de ter uma posição oficial. Mas fico pensando: não temos, por exemplo, no Brasil, um órgão regulador que faça acompanhamento sistemático, como acontece nos Estados Unidos. Por outro lado, é preciso debater com seriedade quais são os modos coercitivos mais exeqüíveis, examinar as alternativas, de acordo com a realidade.

Entre alguns artistas correu a informação de que o senhor seria a favor do chamado jabá legalizado, ou seja, a inclusão do jabá dentro dos 25% reservados à publicidade nas rádios. Isso é verdade?

GILBERTO GIL: Não, isso é um boato. No mais, como se pode legalizar o jabá se ele sequer existe na legislação?


11.4.06

movimentopelofimdojaba@gmail.com

ABAIXO-ASSINADO

Existem hoje três projetos de leis que tornam crime a prática do jabá: o PL 3187/06, de autoria do deputado Gilberto Palmares, o PL 3233/06, do deputado Carlos Minc, e o PL 1048/03, do deputado Fernando Ferro. O Movimento pelo Fim do Jabá, formado por artistas independentes no começo de 2006, foca sua atuação no recolhimento de assinaturas em apoio à aprovação deste último projeto.

Para conhecer o PL 1048/03 do deputado Fernando Ferro, acesse http://www.camara.gov.br/sileg/integras/134409.htm

Para aderir ao abaixo-assinado do Movimento pelo Fim do Jabá pela aprovação do PL 1048/03, envie uma mensagem para movimentopelofimdojaba@gmail.com com seu nome completo, profissão e número de algum documento (CPF, identidade ou carteira da Ordem dos Músicos – tanto faz).

COMUNIDADE NO ORKUT

Conheça a comunidade do Movimento pelo Fim do Jabá no Orkut, que conta atualmente com mais de mil integrantes: http://www.orkut.com/community.aspx?cmm=8833787

"SEM-MÍDIA" PEDEM FIM DO JABÁ


Trabalhadores da indústria musical querem aprovação de lei que criminaliza propina midiática

Por Bruno Zornitta

Sabe aquela música que toca o dia inteiro, em todas as rádios comerciais? Um grande sucesso, não? Nem sempre. Radialistas chegam a receber até R$ 70 mil para tocar de três a cinco vezes por dia determinada música a pedido de grandes gravadoras, empresários da indústria fonográfica ou intermediários. Trata-se do famoso jabá, pagamento de verbas ou favores para promover artistas nas emissoras de rádio e TV brasileiras. Para combater essa prática, artistas e produtores musicais cariocas criaram o Movimento pelo Fim do Jabá. Eles estão recolhendo assinaturas em um documento que pede a aprovação do Projeto de Lei 1048/03, que torna crime o jabaculê.

O jabá, palavra derivada de jabaculê (dinheiro, gorjeta, propina), pode ser feito de forma clandestina ou declarada. "O jabá propriamente dito acontece quando, informalmente, um radialista ou apresentador recebe dinheiro ou favores de forma direta ou indireta (ex: a gravadora coloca uma motocicleta nova para fazer sorteio na rádio) para, em troca, executar alguma música. Já a maneira oficial, chamada de 'verba para divulgação', funciona como parte integrante do material promocional dos discos", explica o deputado Fernando Ferro (PT/PE), na justificação do PL 1048, de sua autoria.

Recentemente, as gravadoras Warner Music e Sony BMG foram condenadas, em ação movida pelo Ministério Público de Nova Iorque, a pagar multas no valor de US$ 5 milhões e US$ 10 milhões, respectivamente, pela prática. A condenação das multinacionais é fruto de uma investigação de quatro anos e as próximas gravadoras na mira da justiça estadunidense são a Universal Music e a EMI. O acontecimento é um bom precedente para a aprovação da lei anti-jabá no Brasil, que estabelece penas como multas, suspensão ou cassação da concessão pública de rádio ou TV.

"O jabá é uma espécie de mensalão das rádios. Essa forma de corrupção tira as pequenas empresas nacionais do páreo. Elas não têm como competir com esse esquema, que serve para beneficiar alguns poucos artistas e diretores que, por isso, se calam em detrimento de todos os outros", diz Bia Grabois, música e integrante do Movimento pelo Fim do Jabá. O cantor Lobão também denuncia a conivência de artistas com a prática: “O medo de algumas pessoas em enfrentar a indústria do jabá é até genuíno no panorama atual: qualquer um sabe que corre o risco de ser deletado da mídia, caso comece a criticar esse processo”, disse, em entrevista ao JB.

Além dos artistas "sem-mídia" e das pequenas gravadoras, o jabá prejudica também os ouvintes, que ficam reféns de uma programação de baixa qualidade e diversidade. Essa situação vai de encontro ao interesse público, princípio que deve nortear as rádios e TVs (que são concessões públicas). “Não escolhemos o que queremos ouvir, eles escolhem por nós”, diz Bia Grabois. Para conhecer o Movimento pelo Fim do Jabá e aderir ao abaixo-assinado, acesse www.movimentopelofimdojaba.blogspot.com.

* Texto publicado na edição impressa número 38 do Fazendo Media [ver www.fazendomedia.com]
É livre a reprodução para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

COLUNA DA HILDEGARD ANGEL

Jornal do Brasil - 08/03-2006

Os jabazeiros das rádios nacionais que abram o olho, pois vem aí uma lei que vai criminalizar o jabá como prática de corrupção. O projeto de lei já existe, é o nº 1048/2003, do deputado Fernando Ferro. É para que o projeto vire lei de verdade que o pessoal do MFJ - Movimento pelo fim do Jabá, ou Jabásta - está lutando. E como isso acontece? Com votos de toda a população, com discussão. Visite o blog http://movimentopelofimdojaba.blog.terra.com.br, fique por dentro e saiba como votar. Só assim será possível punir culpados e começar um longo caminho de reconstrução da indústria do disco neste país. Só assim a gente vai poder escolher o que ouvir no nosso rádio... Vocês que acompanham a coluna sabem que sou radicalmente contra o jabá, aquele dinheiro que as gravadoras pagam para as rádios e TVs tocarem as músicas dos artistas que estão na bola da vez para serem lançados ou mesmo para manter o sucesso em alta. Isso faz com que os artistas, que não têm dinheiro ou não querem pagar para tocar no rádio, sejam excluídos da cadeia produtiva do mercado musical. Os selos independentes não suportam a concorrência e as grandes gravadoras cada vez contratam menos e precisam de mais dinheiro para manter um artista nas paradas. Vamos lá, acessar o blog do Jabásta e votar pela lei contra mais esse jabaculê crônico que assola a Nação..

ENTREVISTA COM DEBORAH SZTAJNBERG

Porto Musical - Não ao Jabá

Rock in Rio 3, dia do show do R.E.M. e estavámos eu e duas amigas com uma camisa improvisada no Corel Draw com aquele gatinho do Napster e em baixo escrito assim: "Fuck Metallica". Uma mulher desconhecida, mas muito empolgada, vai atrás da gente e insiste que precisa de uma camisa igual àquela. Mandamos via e-mail a arte tosca do Corel Draw.

Cinco anos depois, na sala de imprensa do Porto Musical, Deborah aparece e nos encontramos novamente. Ela ainda tem a camisa do Napster, diz. Agora, no entanto, seu foco não está exatamente na propriedade intelectual, como muitos imaginam quando esbarram com alguns advogados que, como ela, tem como maiores clientes artistas e, neste caso, músicos. Sua revolta se deve à entrevista que o dono da Rádio Jovem Pan, o Tutinha, deu à revista Playboy deste mês. Bem, Tutinha, entre outras coisas, fala abertamente que só toca artista quando recebe, que se sente o cara mais temido e mais poderoso da indústria da música no Brasil, entre outras barbeiragens impublicáveis (aqui ao menos).

Deborah Sztajnberg, agora com sua apresentação em Power Poin ao fundo, termina sua conferência com um pedido: que todo mundo visite o blog http://movimentopelofimdojaba.blog.terra.com.br ou mande um e-mail pra lista de abaixo-assinados: movimentopelofimdojaba@gmail.com .

Para saber mais podem dar uma lida sobre o projeto de anti-jabá do deputado Fernando Ferro nesta matéria do JB: http://jbonline.terra.com.br/papel/cadernob/2005/12/30/jorcab20051230001.html

Em entrevista, eis suas indignações: "Está na hora de criminalizar essa conduta do jabá. Está na hora de botar o Tutinha na cadeia. Qual a diferença entre ele o traficante de drogas? Nenhuma. Todos fazem daquela coisa ilegal um 'jeitinho brasileiro'. E é por isso que estamos aqui no Porto Musical, pra lutar contra esse tipo de coisa. Porque são essas coisas que impedem que o Brasil seja respeitado. O povo fala que nós fazemos música direitinho, mas que não sabemos fazer negócio. Precisamos mais do que nunca de uma industria séria."

Pergunto: "Você é otimista?"

Ela responde: "Todo mundo tem que botar o seu bico na água pra apagar o incêndio. Eu sou uma das pessoas que está fazendo isso, e tem muita gente fazendo também."

Carol Castro para Jornal do Commércio - Recife